terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Dafra Riva 150 - Atrás da cereja


Com o lançamento do modelo Riva 150, a Dafra, estabelecida em Manaus, Amazonas, vai intensificar a disputa no segmento das motocicletas street utilitárias de baixa cilindrada, o maior no mercado nacional, base da pirâmide de consumo, que representa a cereja do bolo, com nada menos que cerca de 89% de participação. O modelo foi desenvolvido em parceria estratégica com a chinesa Haojue, marca líder no país, com cerca de 12% do mercado. Será vendido quase simultaneamente com o mercado chinês, a partir de janeiro, ainda não tem preço revelado, porém ele deve ficar próximo ao dos modelos já existentes em sua linha: Speed 150, R$ 4.490, e Apache 150, R$ 5.990.
O interessante é que a engenharia brasileira, presente no desenvolvimento do modelo, tanto na China quanto no Brasil, pautou as alterações e aperfeiçoamentos no projeto, incluindo o quesito desenho, que foram encampadas pela Haojue, com capacidade de produção de 4,5 milhões de unidades por ano. O modelo ficou mais sóbrio, sem excessos de cromados, comuns na China para adornar, como o chamado mata-cachorro, garupeira e outros apliques. O guidão ficou mais alto, as pedaleiras mais centrais e a relação secundária (câmbio de cinco marchas) mais longa, já que o que importa na China não é velocidade, mas a força para transportar sem cerimônia todo tipo de carga, em baixas velocidades.
Andando:O modelo que rodou cerca de 200 mil quilômetros e passou por mais de mil horas no dinamômetro em uma das fases de desenvolvimento também ganhou calibragem mais firme nas suspensões, para suportar o piso brasileiro, ajuste no carburador para beber nossa gasolina com etanol, além da troca dos pneus mais apropriados para o Brasil. O contato com a Riva 150 foi no complexo de provas do governo chinês, em Qionghai, província de Hainan, Sul da China. 
Inaugurado em 1985, o campo de provas para testes de carros e motos é bastante completo e tem diversas pistas que simulam todo tipo de piso, incluindo calçamento irregular, buracos, terra, asfalto, concreto, rampas e uma enorme reta de três quilômetros. São Pedro não ajudou muito, mandando uma garoa que ensaboou o piso de calçamento e revelou as deficiências dos pneus chineses, calçados em rodas em liga leve de aro de 18 polegadas de diâmetro, mas que serão substituídos no processo de montagem em Manaus. O motor de um cilindro, com partida elétrica, do tipo quatro tempos, refrigeração a ar, com 149,4cm³, entrega 12,1cv a 8.250rpm e torque de 1,11kgfm a 6.500rpm, porém é esperto em baixos giros e não precisa ser esguelado para andar, mas não faz milagres e ficou devendo o sistema de injeção. 
Segundo a engenharia, a carburação adotada atende as normas antipoluição e reduzem o custo final, deixando a Riva 150 mais competitiva. A posição de pilotagem é confortável e relaxada, com os joelhos pressionando o tanque, para 13,3 litros, e a espuma do banco (a 770mm do chão) não é demasiadamente macia, o que certamente conta para quem roda por longos períodos no trânsito.

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